terça-feira, 22 de março de 2011

Você sabe o que significa a expressão "No frigir dos ovos"?

Recebi um email explicando o que significa essa expressão. Acho que esse email já é meio batido mas eu ainda não conhecia e adorei!! Como a língua portuguesa é rica de expressões, não é mesmo?! 
 Jamais parei pra pensar no quanto falamos em comida, em forma de metáforas. Achei que so os italianos falassem nisso o tempo todo. Acho incrível quando os italianos se chamam ao telefone, se cumprimentam e la vem a primeira pergunta: O que você comeu hoje? . 

Para quem ainda não conhece, vale a leitura.

Divirta-se 



Pergunta:

                      Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão "no frigir dos ovos"?
Resposta:
                      Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem idéias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa.
E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas.

Já que é pelo estômago que se conquista o leitor,
o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.
Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.

Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese... etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou.

O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.

Por outro lado se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco...

A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho.

Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.
Entendeu o que significa “no frigir dos ovos”?

segunda-feira, 21 de março de 2011

XVII Maratona de Roma


Ontem Roma estava belissima. A cidade foi tomada por cerca de 12.596 atletas profissionais (10.444 homens e  2.156 mulheres), sendo que quase a metade eram estrangeiros, que percorreram um curso de 42 km, além dos 85 mil “armadores” que participaram da FunRun, percorrendo 4 km .

Largada

Pelo trajeto tinham bandas, como esta, tocando para os atletas.
Muitos cachorros correndo com seus donos, muitas famílias, além de mães empurrando os carrinhos dos nenéns, CORRENDO, acredite!!!


 Fantasiados como este foram pouquissimos.
Participantes da FunRun


Muita gente assistindo a final da maratona.



Imagem da internet. O vencedor do Quenia que fez o trajeto em 2 hr. 8 min e 45 seg.
Imagem da internet.Na maratona feminina o pódio foi todo da Etiópia. A vencedora fez em 2 hrs, 24 min e 13 seg.




Após a maratona, houveram apresentações culturais de vários países.

Cantores e dançarinas romenas


O melhor do dia: um grupo de italinos apresentando a capoeira.

Digamos que a intençao foi boa,rs.

Un baccione a tutti.

Valeria M.



sexta-feira, 18 de março de 2011

Reportagem italiana sobre o Brasil


Hoje saiu no jornal La repubblica uma materia sobre o Brasil. Gosto de ver como nosso pais é visto por aqui. Fiz uma tradução rápida com a ajudinha do google, lembrando que sou iniciante na língua, se tiver algum erro sorry...a intenção foi a melhor possível, rs.



O Brasil do milagre agora é a locomotiva do mundo 






RIO DE JANEIRO - O que é os Estados Unidos? "Esse é o único lugar onde só tem inverno?” se atreve João Paulo, 6 anos. Quem é Obama? "Obama é um Lula", respondeu Agatha Vitória, 5 anos. Aqui todos os garotos, quando adultos , querem se tornar Ronaldinho e Kaká, a surpresa são as meninas: muitas se imaginam no futuro como empresárias. Não é uma idéia previsível no lugar onde estão. Eles estão em uma classe de primeira série do "Solar Meninos de Luz", a Casa dos Filhos da Luz. Uma instituição localizada entre as duas favelas mais notadas do Rio, ninhos de pequenas casas em de um morro, as favelas que têm devorado a vegetação tropical para amontoar 15.000 pessoas em condições abusivas, por décadas sem água corrente e sem luz, coladas como crustáceos em uma parede íngreme que pode entrar em colapso com uma tempestade tropical. Só no Brasil é possível que um lugar tão desolado seja a fronteira entre as duas das praias mais chiques e famosas de todo o Hemisfério Sul: Copacabana e Ipanema. E em homenagem a fantasia carioca que desafia a desgraça, estas duas favelas históricas no coração do Rio têm nomes de pássaros: Pavãozinho (pavão pequeno) e Cantagalo. 
 
É o antigo símbolo de uma nação cruel, que durante séculos convivem a poucos metros de distancia: o luxo descarado dos ricaços e a miséria sem vergonha do subdesenvolvimento. Mas hoje se tornou um símbolo de algo novo: um desenvolvimento que pela primeira vez ataca realmente a pobreza, reduz a desigualdade. Esta é a razão pela qual Barack Obama, que amanha inaugura em Brasília a sua primeira visita como presidente na América do Sul, no domingo ira ao Rio e pediu para visitar uma favela. Sem controvérsias, sem ideologimo cubano ou venezuelano, o Brasil, nos últimos anos tornou-se um modelo socialdemocratico que pode ensinar algo para os Estados Unidos. 
  "Solar Meninos de Luz" não nasceu da idéia de um presidente, é um pequeno milagre da sociedade civil. Por traz disso, existe um benfeitor famoso, o escritor Paulo Coelho, que nasceu no Rio, mas também há milhares de cidadãos anônimos que contribuem regularmente com pequenas doações. O centro tem um cunho religioso que pode fazer torcer o nariz dos leigos (é inspirado na doutrina do francês espírita Allan Kardec, pedagogo que acreditava na reencarnação), mas não surpreendeu ninguém no Brasil, onde a Igreja Católica convive Candomblé Africano, e ambos sofrem a penetração maciça dos evangélicos. "O que importa aqui é o resultado - disse minha guia, a voluntária Alessandra Maltarollo - e isso é: que essas crianças não vêem mais nem drogas nem armas. Nós os acompanhamos do jardim de infância à universidade.”

O milagre da "Casa dos Filhos da Luz" é o espetáculos que vi no percorrer do dia nas filas de gente que sobem o morro íngreme: ao lado dos becos ainda há um grupo de jovens ociosos, sentados dentro das barracas, mas em meio a isto desfila um cortejo alegre com uniforme escolar branco e verde, limpissimos, ordenados, direcionados para as salas de aula. Eles têm uma biblioteca com 20 mil textos, um teatro com 400 lugares, ginásio onde treinam capoeira (arte marcial brasileira), ambulatório e refeitórios, até mesmo professores especializados na assistência a crianças com deficiências graves. Os cursos de Inglês e informática começam no primário, onde eu perguntei sobre a chegada de Obama. Mas a transformação da favela é o resultado da ação combinada: além dos voluntários que trabalham em baixo, existe uma intervenção de cima. No sentido literal: é do alto que se chega rapidamente a esta e outras favelas do Rio os helicópteros, os esquadrões paramilitares, forças especiais de combatimento. Uma verdadeira operação de guerra, pré-planejada como um dos últimos atos do presidente Lula da Silva, de acordo com o governador e o prefeito. "95% da população aqui não sofreu como uma invasão, mas como uma libertação", diz Lerner Sallyr, que por toda a vida foi "o dentista nas favelas". 
 
O Estado tomou pela primeira vez na história, o controle deste território, mafiosos e traficantes de droga fugiram. E esta invasão espetacular não permaneceu somente como uma façanha extraordinária. Os varredores de rua são um sinal de que o Estado ainda está aqui. Como o carro de Policia que permanece na entrada da favela: uma presença impensável até um ano atrás, quando a polícia não ousava aproximar. "Uma das favelas - disse-me a fotógrafa Ana Rodrigues –se chamava Faixa de Gaza. Nela os traficantes vendiam drogas sobre bancadas a céu aberto, com armas nos ombros. As crianças me pegavam pelas mãos e me guiavam para fotografar as piscinas de sangue quente das últimas vítimas de acerto de contas”.

As favelas continuam a crescer em altura, por força de "puxadinhos”, casas que se sobrepõem umas sobre as outras. Mas a colméia caótica de Cantagalo é constituída de tijolos em vez de madeira: um modesto sinal bem-estar primordial que avança. Atrás da metamorfose das favelas, existe um fenômeno muito mais amplo. A taxa de desemprego no Brasil caiu para 6,1%: o menor de todos os tempos, mais baixo que dos Estados Unidos e da União Européia. Parte deste progresso é simplesmente o efeito do crescimento em todos os países emergentes. Nas palavras de José Carlos Martins, diretor-executivo da Vale que é o segundo gigante da mineração mundial : “Nós acordamos todas as manhãs e rezamos para que a China esteja bem”.

Soja, açúcar, café, madeira, cobre, ferro, tudo do qual a natureza generosamente forneceu ao Brasil, está vendendo como pão quente nas nações asiáticas, que são as locomotivas do crescimento. Este país que era famoso por sua falência, que entre 1940 e 1995, oito vezes teve que mudar o nome da sua moeda, como resultado da hiperinflação, agora se tornou o quarto maior credor dos Estados Unidos. O investimento estrangeiro flui ao ritmo de US $ 45 bilhões por ano, apenas a China a supera. O Brasil deu a primeira letra ao novo acrônimo BRIC, com Rússia, Índia e China fazendo parte do clube das "outras" potencias, aquelas que aceleram enquanto o Ocidente declina. No Rio e em São Paulo se respira a mesma confiança no futuro que me recordo em Mumbai e Xangai. Mas entre os BRIC, é o Brasil que pode se gabar da estrutura mais equilibrada das exportações. Ao contrário da China e da Índia, o Brasil é um "celeiro" do mundo, tem uma  agricultura moderna capaz de competir com a dos Estados Unidos, e produz muito mais do que consome. Ao contrário da Rússia e de outros países emergentes, não vive só de matérias-primas. Exportar carros, telefones, eletrodomésticos, barcos e locomotivas. A sua jóia industrial é a Embraer, o terceiro grupo aeronáutico mundial depois da Boeing e da Airbus.

Além disso, possui a característica mais importante que torna o Brasil único entre os Bric: a quarta democracia mundial foi capaz de usar o "boom" de reduzir as desigualdades, ao invés de aumentá-la como aconteceu na China. "Nós somos uma exceção - acrescenta o economista Ernani Teixeira do Banco Nacional de Desenvolvimento – também em relação à tendência das democracias liberais mais maduras" Nos Estados Unidos e em grande parte da Europa, as disparidades de renda e patrimônios são acentuadas. "A nossa sorte - ironiza o economista Fabio Gambegia do BNDES - talvez seja ligado a uma ironia da história. A nova Constituição do Brasil democrático foi aprovada um ano e meio antes da queda do Muro de Berlim, numa época em que ainda existia confiança no papel do Estado”. 
 
O primeiro a aplicá-la realmente foi Lula. Sua política social, que hoje prossegue com a presidente, Dilma Roussef (ex-chefe de gabinete de Lula, um passado na luta armada, prisão e tortura durante a ditadura militar), tem "incorporado" pela primeira vez na economia do pais, as massas de pobres. O salário mínimo, que se aplica aos 25 milhões de trabalhadores, tem uma dupla indexação: da taxa de inflação e aumento do PIB anual. Uma dádiva do céu em um período de forte crescimento como nos últimos oito anos. Hoje, o salário mínimo vale mais de US $ 300, um nível muito mais elevado do que em outros países sul-americanos. "Esta é a melhor maneira de reduzir as desigualdades: para enriquecer os pobres, em vez de empobrecer os ricos", diz Gambegia. Você não pode dizer o mesmo de Hugo Chávez nem do socialismo cubano. O Brasil ganhou admiração em todo o mundo com a invenção da Bolsa Família, um subsídio direto às mães que são pagos somente se os filhos vão à escola regularmente. Ele funciona, é o melhor antídoto contra o trabalho infantil já inventado.

É claro que esta não é a Escandinávia, é uma terra com muitos pobres, corrupção, injustiças: mas é um dos poucos países no mundo onde o índice da distancia entre os ricos e o pobre diminuiu regularmente em oito anos. Agora o milagre "de esquerda" brasileiro deve enfrentar grandes desafios, frutos de seu sucesso. Tem uma moeda muito forte, que transforma o São Paulo nas cidades mais caras do mundo, e não ajuda a indústria de exportação. A supervalorização tende a aumentar nos próximos anos pela descoberta de enormes campos de petróleo offshore, a 200 km da baía do Rio, que fazem do Brasil a quarta ou quinta potencia mundial de energia. Compreende-se o interesse de Obama por este parceiro-rival, cujo poder começou a eclipsar o grande vizinho do norte. E Obama que pediu especificamente para incluir em sua visita a uma favela do Rio, Cidade de Deus. "Hoje pode
​​explorá-la traquilamente - disse Ana Rodrigues.”

E ai, o que acharam? Estamos com a bola toda? Será que a policia conseguiu,com aquela “histórica” invasão, expulsar os traficantes das favelas? O bolsa família funciona efetivamente? O pais está realmente atacando a pobreza e diminuindo a desigualdade? 

Isso da uma longaaaaaa discussão? Não? 

Pelo menos fica ai a dica de uma boa reflexão!

Um baccione 


Valeria M.